VERA BIANCA

Embora tenha nascido em São Caetano do Sul, região do grande ABC, a sanfoneira passou a infância ouvindo muita música caipira no rádio com seu avô enquanto seus primos e tios “arranhavam uma viola”. Neste tempo, ela morava em Araraquara, no interior do Estado de São Paulo.

 

A mãe de Vera percebeu que ela tinha jeito para a música e resolveu colocá-la na aula de piano, aos doze anos. No mesmo período, seu pai pegou uma sanfona como garantia de pagamento de uma dívida. Assim, com o instrumento em casa, Vera resolveu aprender a tocar e pediu para a sua professora de piano dar umas aulas de baixo (as notas graves, de teclas pretas, tocadas com a mão esquerda, que fazem o acompanhamento). Porém, depois de alguns meses, a dívida foi paga e ela ficou anos sem ter contato com a sanfona.

 

A cantora e sanfoneira relembra: “Era uma sanfona de 120 baixos, pesada pra caramba. Eu era bem magrinha. Eu fiquei até torta por causa do peso e minha mãe teve que corrigir a minha postura”. Assim, sua mãe resolveu presenteá-la com um instrumento, guardado até hoje com muito carinho, o chamado harmônio (uma espécie de teclado) que serviu para esquecer os 120 baixos.

 

Nos anos de 1980, Vera fez parceria com a cantora Jandira, a parceira já tinha gravado discos no Mato Grosso formando a dupla Jandira e Jurema. Após a separação, veio para Guarulhos e Jandira tinha o intuito de continuar com o mesmo nome da dupla e escolheu Vera para fazer a segunda voz. Porém a sanfoneira não gostava do nome artístico e, preferia ser chamada de Jordana, algo que não agradava Jandira. A parceria durou cerca de um ano, pois a faculdade de pedagogia consumia boa parte do seu tempo.

 

Nos anos de 1990, Vera Bianca voltou aos palcos e seguiu em carreira solo, apenas com o acompanhamento de um tecladista. Fez showmícios, aniversários, batizados, formaturas, apresentações em bares e casas noturnas. Porém, o instinto materno falou mais alto e, após dar à luz, a carreira musical foi interrompida novamente. “Aí veio minha filha, minha lindinha. Me apaixonei! Falei: não vou cantar, vou ficar com ela”, complementa Vera.

 

A música retornou para sua vida somente após a aposentadoria, nos anos 2000. A cantora volta a ter contato com pessoal da moda caipira raiz de Guarulhos e surge a dupla Vera Bianca e Guaru. Os dois passaram por diversos palcos de festivais de canções caipiras, bares e casas de shows, até a separação em 2020.

 

Guaru, além de ter sido parceiro por vários anos, foi o responsável por trazer a sanfona de volta para a vida da Vera. “Quando comecei a tocar com o Guaru, a gente se apresentava só com violões. As introduções eram feitas por algum convidado”, conta Vera. Até que o companheiro de palco a presenteou com uma sanfona e os solos passaram a ser feitos pelo instrumento, fato que chamou atenção de todos.

 

No ano de 2013, Vera ficou responsável pelo Rancho dos Romeiros, na Festa de Bonsucesso. Neste primeiro ano, vários artistas foram convidados para receber as autoridades e os romeiros que passavam pelos festejos. Nos primeiros anos não havia cachê e poucos músicos se revezam no palco por cerca de dez horas.

 

Em 2017, Vera Bianca criou o projeto Café com Viola, que até antes da pandemia acontecia todo primeiro domingo do mês, no Teatro Céu Ponte Alta. “A gente fez este projeto muito na raça, no sangue e na paixão. É um trabalho voluntário pela nossa cultura. Não havia verba para execução do projeto. A prefeitura cedia o espaço, o som, alguns funcionários, o café e o açúcar. As comidas para servir no café da manhã eram obtidas por meio das doações de comerciantes da região”, complementa Vera.

 

O Café com Viola foi abraçado pela população local e cada evento tinha um público estimado de 300 a 400 pessoas. O lugar virou um ponto de encontro de violeiros de Guarulhos e região, recebendo até mesmo artistas de outros estados como Minas Gerais e Paraná. 

Vera Bianca se coloca como eterna aprendiz da sanfona e espera o final da pandemia para voltar ao Café com Viola para fazer apresentações com amigos como o cantor Nascimento e a dupla Zenon e João Garcia