OS FAVORITOS DA CATIRA

Mestre Oliveira, atualmente com 75 anos, nasceu na cidade de Tanabi, na região de São José do Rio Preto, em São Paulo. Seus antepassados já eram festeiros desde o tempo de seus bisavôs. Os da parte paterna praticavam Catira e Folia de Reis; já os maternos eram boiadeiros da região de Ribeirão Preto. O Sr. Oliveira, atual veterano cantava com os grupos de folia de Santo Reis desde os dez anos de idade, foi ouvindo e observando os mais velhos que aprendeu a tocar os instrumentos de cordas e de percussão.

 

O primeiro grupo de Catira do Sr. Oliveira, nasceu no ano de 1960, no município de Dirce Reis/SP, aos 15 anos. O violeiro chegou em Guarulhos em 1968, após comprar um terreno no Jardim Flor da Montanha, já com ideia de atuar com as tradições de Folia de Reis e da Catira. Em 1974, montou “Os Favoritos da Catira” com outros amigos. Uma característica importante e marcante do grupo são as coreografias criadas pioneiramente por eles, pois o costume era apenas dançar em fila com um catireiro parado na frente do outro. A primeira coreografia surgiu numa brincadeira durante um ensaio, onde alguns dos componentes dançavam o Guarani cruzado, que consistia em uma sequência na qual um batia mão e pé, enquanto outro dançarino, de frente, batia só as mãos e depois ambos se cruzaram, assim, nasceu a ideia de se fazer o cruzado na Catira – batizada como “dança da correria”. Deste modo, em reuniões da companhia, foram criadas doze coreografias diferentes que são dançadas até hoje.

 

O grupo é uma tradição familiar. Edson, que é filho do mestre, aprendeu a dançar Catira aos dez anos de idade e, atualmente, produz outros artistas como a dupla Cacique e Pajé, por exemplo, e também ensina para os mais novos os costumes, cantos e danças.

Sr. Oliveira, assim como sua família, lhe ensinou a apreciar a Catira e dar continuidade na tradição - ele faz com os mais novos, passando adiante tudo o que lhe foi ensinado. 

 

A Catira vem da época da colonização do Brasil, quando os portugueses ficavam admirando a dança dos indígenas. O mestre explica: “Dali eles tiraram o sapateado e adaptaram ao ritmo da viola, e depois os europeus ensinaram os índios”. Ele continua, agora a respeito da origem do nome: “Catira é uma mistura de ervas feita para os caciques tomarem. O desenvolvimento aconteceu com os bandeirantes que levavam a viola para tocar o cateretê. Porém, não era nada ensaiado, eram coreografias bem simples”.

Para se fazer a Catira é necessário, no mínimo, seis dançarinos e uma dupla de cantores.

 

Com a viola de Sr. Oliveira afinada no Cebolão em Mi Maior, “Os Favoritos da Catira” se apresentaram inúmeras vezes no programa Viola, Minha Viola, no filme Tapete Vermelho, na novela Roque Santeiro, além da Festa de Carpição e Nossa Senhora de Bonsucesso, no Revelando São Paulo e vários outros eventos por todo o Brasil.

 

O grupo atualmente é formado por Sr Oliveira (viola), Luiz (voz) e Edson (palmeiro); os catireiros: Clayton, João Vitor e Toninho; as catireiras: Cely, Evelyn, Thaynan e Katia.

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