O QUARTETO RAIZ

O Quarteto Raiz surgiu em 2020 durante a pandemia, pois os quatro amigos estavam sentindo falta das cantorias, já que o risco de contágio pela Covid-19 obriga a manter o distanciamento social. Com os eventos de músicas parados e a vontade de fazer a viola tocar, o jeito mais seguro foi organizar lives para manter viva a música caipira de raiz. O quarteto formado por Bueno (viola, primeira e segunda vozes), Guaru (violão, primeira e segunda vozes), Osvaldo Viola (viola, violão e segunda voz) e Juarez Viola (viola solo) se manteve ativo levando sua música pelas redes sociais, unindo o tradicional e o contemporâneo, o mundo digital com a raiz da música caipira.

Os quatro músicos têm uma trajetória respeitada no meio da cultura sertaneja de raiz. Bueno, depois de se aposentar no ano de 2005, decidiu fazer aula de viola: “Eu comecei a fazer aula com o professor João Moreno e, ele tinha a Orquestra de Viola Seresteiro da Lua. Aproveitando que eu tinha uma voz boa, me colocou para fazer a primeira voz da Orquestra e nos intervalos do ensaio surgiu a dupla Darlan e Bueno”. 

 

Já Guaru, iniciou na música em 1982 fazendo dupla com Nivo. Depois fez parceria com Camargo, mas por motivos profissionais não foi possível conciliar as apresentações com a carreira musical. Guaru foi fazer dupla com a cantora Vera Bianca com quem ficou cerca de oito anos se apresentando pelos palcos.

 

Osvaldo Viola tem a música no DNA, pois tudo começou lá atrás, com seu bisavô. A tradição foi seguindo de geração em geração até chegar sua vez de aprender, aos quatorze anos, vendo seu pai tocar viola caipira e violão. Chegou em Guarulhos na década de 1970, para trabalhar em metalúrgica, entre outras ocupações. A música só virou sua principal ocupação após a aposentadoria, em 2003.

 

A vida artística de Juarez surgiu com o rock. “A viola eu achava que era instrumento de velho. Eu via sempre meu pai tocando na Folia de Reis, mas eu não queria tocar viola não. O meu negócio era rock pauleira”. Porém, há aproximadamente quinze anos, tudo começou a mudar quando ganhou uma viola caipira de presente da sua esposa. A partir daí, passou a ter aulas com os professores João Moreno e Amaury Falabella. Assim, a música caipira passou a fazer parte da sua vida.

 

Todos os participantes do Quarteto Raiz participam da festa de Nossa Senhora do Bonsucesso, seguindo a tradição da família. Segundo o Sr. Bueno, seu pai nunca faltava nas comemorações da Festa da Carpição: “Quando chegava o mês de agosto eu ficava muito feliz, porque sabia que eu iria para as festas com meu pai”. 

 

O Sr. Bueno diz que a festa de Nossa Senhora de Bonsucesso era marcada pela concentração cultural Guarulhense, onde parecia uma feira com diversos stands com roupas, acessórios, artesanatos e comidas típicas. Ele fala dessas lembranças com um grande sorriso no rosto, como se revivesse esses momentos de festividades.

 

As festas são de extrema importância, tanto para a parte religiosa da cidade, como para a parte cultural, e deve se manter viva sempre. Antigamente a  festa era bem diferente, a quantidade de pessoas é um dos pontos que mais chama atenção quando comparada aos tempos atuais, pois antigamente pessoas de toda cidade se reunia para comemorar,...mas só de manter a tradição, manter as casas do jeito que ainda se encontram ao redor da igreja, cujo são estruturas mais antigas, recebendo as folias de reis e participando das festividades, faz com que a história não se acabe, mantendo-as como uma patrimônio.

 

Isso é muito bacana e deixa a gente muito feliz, eu espero que em 20 anos possamos continuar indo nessa festa, dançando e cantando com todos” - diz Sr. Bueno. O Quarteto passa adiante sua cultura e ensinamento, tanto musical como religioso, ensinando a cultura caipira raiz a filhos, netos, e amigos.