KELLY RISSUTO

A paixão de Kelly Rissuto pela música começou bem cedo. Ela conta que quando tinha entre dois e três anos já cantava em casa - seu pai não podia pegar o violão, que a pequena já começava a cantarolar. Além do pai, a influência artística vinha também da mãe contrabaixista e do avô bandolinista. 

 

Por volta dos seus oito anos, foi aprender a tocar teclado, mas não se identificou com o instrumento. Seu pai queria que ela fosse a tecladista da banda da família, a Sertasom. Sem sucesso com as teclas, partiu para as cordas: “Quando peguei o violão, eu deslanchei. Eu me identifico com instrumentos de cordas”, diz Kelly. A primeira música que aprendeu foi o xote gaúcho ‘O Palco Caiu’, pois a harmonia desta canção ensinada pelo seu pai varia entre quatro acordes: “É bem facinho! Quando vou ensinar a viola, sempre ensino o xote gaúcho, pois é fácil de tocar”, diz ela.

 

Aos quatorze anos já dava aula em casa, na região de Bonsucesso, uma vez que não tinha professores de música no bairro, os interessados em tocar instrumentos procuravam “as meninas do Zé”, em alusão ao nome do pai das irmãs Rissuto - Kelly ensinava as técnicas do violão, enquanto Aline dava as aulas de teclado.  

 

A cantora e violeira lembra que nesta mesma época, ainda aos quatorze anos, ela vivia da música com a Banda Sertasom, cuja formação era a própria Kelly (violão e voz), seu pai na segunda voz e guitarra, sua mãe no contrabaixo e a irmã no teclado, sendo apenas o baterista contratado. Eram um conjunto familiar que tocavam durante toda a semana. 

 

Quando estava com dezessete anos abriu a escola de música ‘Projeto Sonoro’ junto com sua irmã, Aline Rissuto. Neste período decidiu focar no ensino musical e deu um tempo dos palcos.

 

A viola apareceu na vida de Kelly há aproximadamente uma década, após observar a procura de alunos interessados em aprender o instrumento. Sendo assim, ela passou a ter aulas com o professor Amauri Falabella com intuito de atender a demanda dos sedentos pela música caipira; ela fala da identificação com a viola de dez cordas: “É este instrumento que eu quero, eu me achei mais que no violão”.

Kelly se aprimorou no instrumento e criou métodos de estudos para ensinar a viola. Outras escolas a procuravam por causa de sua didática de abordagem gradativa, servindo desde o ensino mais básico até o repertório com mais dificuldades de execução. Assim, surgiram os três volumes para aprendizado de viola caipira. Como professora, ela procura trabalhar de forma lúdica.

 

A violeira participa dos projetos “Na Roda da Viola”, “Papo de Viola” e também faz muitas festas particulares para levar a música de raiz na comemoração de bodas de ouro ou em aniversários surpresas - a ideia é tocar canções bem antigas e tradicionais para quem a ama a cultura caipira. 

 

Kelly Rissuto destaca o papel das mulheres, como as Irmãs Galvão, Inezita Barroso, Adriana Farias, entre outras, para abrir portas às outras gerações. A cantora continua a levar o bastão passado por essas primorosas mulheres, seja como professora de música ou nos palcos da vida.

 

Ela participava das Festas da Carpição, e de Nossa Senhora de Bonsucesso, que acha magnífica a festividade e a parte religiosa da festa, mas o que realmente sempre chamou a atenção dela eram as partes musicais, onde as pessoas se apresentavam e ela admirava cada apresentação.