CULINÁRIA CAIPIRA

Ôce sabe du quê, que o caipira gosta?

 

Caipira de verdade gosta de um bom paieiro,  água que passarim não bebe  e comida boa de fogão a lenha...

 

Quando ‘raiá’ o dia, botá lenha nu fogão, 

Fervê a água pro café... 

Bora amolá o facão.

Tá na hora de pegar o franguim no quintar...

Esse, hoje vai pra panela

mata a fome do pessoar....

A COMIDA CAIPRIRA É A JUNÇÃO DAS MAIS VARIADAS HISTÓRIAS,

compartilhada de geração em geração, possuindo assim uma trajetória extensa, porém sabe-se que era feita principalmente pelos tropeiros em suas viagens, sendo assim sempre se questionam qual a verdadeira raiz da culinária caipira, isso se deu pois compartilhavam seus segredos culinários nos diversos lugares que passavam, visto que a culinária não possui repartições geográficas, foram se mesclando as receitas. E em suas viagens os tropeiros  usavam o improviso para prepararem suas refeições, como o fogo no chão, entre outros meios para a preparação.

Ao se falar em comida caipira já vem em nosso pensamento o fogão a lenha, família toda reunida, muito amor envolvido e vários pratos típicos. São diversos os pratos típicos da culinária caipira tradicional que são feitos até hoje, como: afogado, galinhada, feijão tropeiro, vaca atolada, rabada, angu, polenta, entre outros diversos pratos. A comida caipira são alimentos que são consumidos no dia-a-dia da população, além de sempre estarem presente em comemorações, em restaurantes, bares, padarias, são esses alimentos que são valorizados e não perdem sua essência ao passar das gerações. 

E como em toda festa, a festa da carpição não pode ser diferente, reunindo muitas pessoas da comunidade para celebrar, festejar, dividir a fé e a tradição. Envolvida com a cultura caipira, na festa também se faz presente a culinária tradicional, onde as pessoas se reúnem para compartilhar seus segredos, enriquecendo os pratos e compartilhando com todos a maravilha da comida típica caipira. 

MESTRES
CULINÁRIOS

Separamos receitas de mestres da Culinária Caipira, entre doces e salgados, com certeza alguma dessas delicias vão despertar a sua vontade!

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SEVERINO CORREIA

Severino Correia, conhecido como Biu, (diz a lenda que todo Severino é Biu) no auge dos seus 63 anos, mora no Jardim Presidente Dutra há 37 anos. O primeiro contato que teve com a culinária foi através de sua mãe, que sempre preparava comidas caipiras. Enquanto cozinhava, ensinava ele e seus 11 irmãos a como fazerem as tarefas do dia-a-dia, como cozinhar no fogão a lenha, o passo-a-passo da preparação dos alimentos e principalmente ensinava-os, o amor por cozinhar.

NELIR AUXILIADORA DA SILVA RODRIGUES

Nelir Auxiliadora da Silva Rodrigues, hoje com 60 anos, moradora do jardim Palmira,  é filha de Gaúcho e Indígena, e tem a culinária como uma grande paixão - herdou esse grande prazer pela cozinha de seu pai, sua mãe e sua avó...principalmente seu pai que cozinhava e sempre a convidava para ajudar na preparação de suas receitas. 

A maior parte dos pratos que faz hoje é fruto de pesquisas e receitas compartilhadas com ela; porém no seu início também foi instruída por sua mãe e sua avó, e com o tempo procurou aperfeiçoar ainda mais os pratos aprendidos. De acordo com Nelir, quando alguém gosta do que faz não é necessário uma escola, mas que doe o seu melhor naquilo que estiver fazendo.

Canjica com amendoim.

FÁBIO ALMEIDA DOTTO

Fabio Almeida Dotto, nascido em Guarulhos, no momento, mora no Parque Alvorada, filho de dona Maria de Lourdes e Sr. Elizeu Roberto, formado em gastronomia. Hoje, aos 42 anos, possui 18 anos de experiência nas cozinhas. Começou a se envolver na cozinha desde cedo, quando seus pais saiam para trabalhar e ele ficava com sua avó, então a ajudava nas tarefas, principalmente no preparo das refeições. Mas diferentemente da maioria das pessoas que são incentivadas pela figura materna a se desenvolver na culinária, Fábio foi inspirado pelo pai, cujo já seguia carreira dentro da gastronomia. É extremamente apaixonado pela culinária regional e toda a riqueza gastronômica que envolve o Brasil. 

O primeiro contato que teve com a cozinha de maneira profissional, foi em 1997, para prestar serviço como lavador de pratos, onde seu pai trabalhava como chef de cozinha do local, indicando-o para o serviço e permanecendo no estabelecimento por 2 anos. Dentro deste período começou a evoluir seus conhecimentos culinários, encerrando seu contrato como Chef Garde Manger, cuidando da parte das saladas. Tempos depois, trabalhou na Mercearia São Pedro e também com o chef Sergio Arno. Desde então vem avançando e construindo incrivelmente a sua história dentro da gastronomia. 

VANDA ROSA PACHECO DE LIMA

Vanda Rosa Pacheco de Lima, tem 66 anos e é moradora da região da Vila Rio de Janeiro. Vem de uma família da roça - sua mãe sempre trabalhou, colhendo as plantações de café, seu pai era criador de vacas, onde retirava o leite e vendia aos moradores, para assim ajudar no sustento da família, além de aproveitar as terras que eram usadas para o pasto das vacas; o terreno também tinha plantações, que  eram colhidas e vendidas nas feiras da cidade. Em algumas ocasiões, dona Vanda e seus 10 irmãos, devido a difícil situação vivida, passavam a morar na fazenda de alguns amigos da família, porém sempre prezou pela união da família. Sua mãe, uma mulher guerreira e independente, ensinou todos seus filhos a lutarem por seus sonhos. 

Dona Vanda aprendeu a arte de cozinhar com sua mãe, que além de cuidar das plantações de café, trabalhava em um restaurante; como alguns alimentos tinham o preço um pouco acima da condição financeira da família, elas adaptavam as receitas de acordo com a realidade vivida, fazendo deliciosas receitas com os alimentos que estavam presentes no seu dia-a-dia, como polenta, abobrinha, canjica, canjiquinha, entre outros. 

NADIR APARECIDA ROSA SANTIAGO

Nadir Aparecida Rosa Santiago, atualmente com 71 anos, mora na Vila Monteiro Lobato. Nascida em uma família tradicional da roça, onde o pai era cuidador de vacas, plantava e colhia, vendendo o leite e as colheitas para a comunidade, e a mãe, que também cuidava de plantações e trabalhava como cozinheira. 

Faz parte da folia de reis desde muito jovem, pois seus pais e tios já participavam das comemorações, sendo a participação na Festa da Carpição uma tradição da família - todos crescem e aprendem sobre a cultura dessa festa, o significado da Carpição e de tudo que a envolve; uma comemoração que é feita nas ruas, e passada nas casas da cidade para celebrar os Santos Reis.

FRANCISCA MOREIRA

Francisca Moreira, 66 anos, moradora do bairro do Mikail, perdeu sua mãe aos 7 anos; então desde jovem teve que assumir o papel de cuidar de seus 9 irmãos, pois seu pai trabalhava, juntamente com sua irmã mais velha. Com seus 9 anos, teve que aprender a cuidar dos afazeres de casa, principalmente preparar as refeições; boa parte do que sabe hoje em dia é fruto dos ensinamentos de sua irmã mais velha, que a instruiu, para poder cuidar dos demais quando ela saísse para o trabalho com seu pai. 

Desde que começou a cozinhar, nunca mais parou; procura se aperfeiçoar cada vez mais, conquistando novas experiências. Logo a seguir, começou a trabalhar em restaurantes, aprendendo assim novas técnicas e novas receitas.

IVANA MARIA APARECIDA RAIMUNDO DE LIMA

Ivana Maria Aparecida Raimundo de Lima, carinhosamente conhecida como Tia Ivana, nascida em Guarulhos no ano de 1962, atualmente mora no Picanço. É mãe de 3 mulheres, casadas que também gostam de cozinhar, e admiram a garra e a força da mãe. A mãe da Tia Ivana, Dona Bela, era dona de casa, e o pai Sr. Alcides Raimundo era pedreiro construtor; tiveram 6 filhos, 3 meninas e 3 meninos, e Dona Bela ensinou a todos a magia da culinária, e, de acordo com ela, tudo o que ela é hoje, e tudo que sabe é graças a sua mãe, que a ensinou da melhor maneira. 

Em um momento de sua vida, sua mãe trabalhou como merendeira em uma escola local, seguindo os caminhos de sua mãe. Anos depois, a Tia Ivana começou, assim como ela, a trabalhar de merendeira em uma escola pública de Guarulhos, permanecendo nas escolas servindo amor aos alunos em forma de refeições por mais de 25 anos. Segundo ela, é uma função muito querida, que ela ama, cozinhar e inovar os pratos, onde as crianças adoram tudo o que ela faz, cozinhando em média para 400 crianças a cada intervalo de aulas. Cozinhar para crianças no início é um desafio, dominar um fogão industrial não é para qualquer aventureiro mas com o passar do tempo afirma que “não erra mais, a gente acostuma, a gente aprende e no final dá tudo certo”.

BENEDITA APARECIDA

Benedita Aparecida, nasceu em Mairiporã. Ela e seus 12 irmãos cresceram na roça. Aprendeu a cozinhar aos 10 anos de idade com sua mãe e sua avó; gosta muito de cozinhar, e a maior parte de suas receitas são de comidas caipiras - comida essa que a faz lembrar de quando criança, pois a família se reunia para que todos ajudassem a preparar as refeições. 

Dona Benedita menciona que na casa em que morava não tinha energia elétrica, então a comida era feita no fogão a lenha, e, enquanto sua mãe e sua avó preparavam a comida, iam ensinando a ela o passo a passo de cada prato, além de contar muitas histórias durante a preparação.